RIO DE JANEIRO, 8 de novembro de 2026 — O Brasil tem escolas sem merenda, hospitais sem remédio e estradas sem asfalto, mas o governo Lula prepara uma obra que nunca falta verba: a ampliação da Esplanada. A conta que circula em Brasília é de 40 ministérios, o maior número desde a redemocratização. Quarenta cadeiras, quarenta gabinetes, quarenta estruturas de apoio pagas por quem trabalha. Alguém no Planalto consegue explicar o que cada uma delas entrega ao brasileiro?
Lembra da história de Ali Babá e os quarenta ladrões? Um tesouro escondido numa caverna, uma porta de pedra e uma senha que abria tudo: abre-te, sésamo. Agora, parece que vemos essa fábula se materializar. O número é o mesmo, e o enredo rima com Brasília: quarenta ocupantes em volta de um tesouro, que aqui é o Orçamento da União, e uma senha que também abre tudo. Chama-se base aliada.
Os números ajudam a medir o tamanho do exagero. Lula assumiu em 2023 com 37 pastas, 14 a mais do que Bolsonaro tinha ao deixar o cargo. Chegou a 38 e, com o novo Ministério da Segurança Pública, igualaria as 39 de Dilma Rousseff. Agora, a marca de 40 passa a ser tratada como natural. Cada nova pasta nasce com a mesma justificativa: é preciso organizar o governo. Na prática, é preciso acomodar aliados.
Veja o contraste com o discurso. Lula já disse que quanto menos ministérios, mais incompetente é o governo. Pela régua dele, a eficiência se mede em cadeiras. Pela régua do contribuinte, mede-se em resultado: fila do SUS menor, preço do alimento menor, rua mais segura. Nenhuma dessas métricas melhora porque o Diário Oficial ganhou mais um decreto de criação de pasta.
Há ainda o custo que não aparece na manchete. Cada ministério exige ministro, secretário-executivo, assessores, carros, passagens, cargos comissionados e, claro, uma sede. Multiplique por quarenta. O dinheiro que sustenta essa máquina sai do mesmo bolso que sustenta a carga tributária que o governo diz que precisa aumentar. Primeiro se cria a despesa, depois se procura quem pague. É assim que o Estado cresce enquanto o país encolhe.
Enquanto isso, o Planalto também lida com o próprio palco. A coluna de Matheus Leitão, no Metrópoles, informa que o ministro da Secom, Sidônio Palmeira, pediu para sair do governo e quer vender campanhas eleitorais no exterior, com a Argentina no radar. Sidônio nega, em nota. Mas a pergunta que o brasileiro faz é outra: o que acontece com um governo cujo maior ativo, na própria leitura dos aliados, é o marketing? Se o responsável pela propaganda procura a porta de saída, quem vai vender a conta de 40 ministérios ao eleitor?
A Fazenda também entra na dança. O elogio de Lula indica que Dario Durigan segue cotado para continuar na pasta, e uma ala do Planalto defende que o presidente indique o ministro antes da viagem internacional. Repare na ordem das prioridades: o debate é sobre o recado que o mercado vai receber, não sobre como cortar gasto. Quem controla a caneta da economia fala em troca de nomes, e quase nunca em redução de tamanho do Estado.
A direita tem uma proposta simples e que resolve. Um governo enxuto, com poucas pastas, metas claras e ministros que respondam por resultado. Bolsonaro entregou 23 ministérios e provou que é possível administrar o país sem transformar a Esplanada em condomínio de partidos. Menos ministérios significa menos cargo para negociar, menos gasto fixo e mais dinheiro disponível para o que o cidadão cobra de verdade.
Pergunto sem rodeio: o que a população ganha com o quadragésimo ministério? O brasileiro paga por 40 estruturas e continua esperando atendimento em uma. Cada pasta criada para dividir espaço com aliado é um lembrete de que, no governo petista, o poder se reparte primeiro e o serviço público vem depois, se sobrar orçamento.
Na fábula, Ali Babá só descobre o segredo porque alguém vigiava a caverna e contou o que viu. É o que faço aqui: olho a porta, conto os que entram e pergunto quem pagou a pedra. Porque a caverna da Esplanada tem dono, e ele não foi consultado: é o contribuinte que banca cada uma das quarenta cadeiras.
O recorde que o Planalto prepara não é de eficiência, não é de entrega, não é de segurança. É de cargos. E quando o país descobrir quanto custou a fatura, talvez a pergunta mais incômoda não seja por que são 40 ministérios, mas por que ninguém no governo se constrange em anunciar o número como se fosse conquista.
Rogerio Pires é jornalista, professor, pesquisador, mestre, doutor H.C. em educação e gestor público com atuação na área de educação tecnológica e políticas de inovação no Estado do Rio de Janeiro.




Democracia (a Tupiniquim), é só corrupção !
Essa é a materialização perfeita do conto "Ali Babá e os 40 ladrões".