RIO DE JANEIRO, 2 de novembro de 2026 — Amanhã, terça-feira, 3 de novembro, mais de 23 milhões de americanos já terão votado antes mesmo de as urnas abrirem. Em 2022, na mesma altura, eram 15 milhões. Quando um eleitor corre para votar com essa antecedência, ele quer dizer alguma coisa. A pergunta é o quê, e quem vai entender o recado.
Donald Trump não está na cédula, mas é dele o nome que paira sobre cada urna. Estão em jogo as 435 cadeiras da Câmara e 35 das 100 do Senado, onde os republicanos têm 53 vagas contra 47. A imprensa que nunca aceitou o resultado de 2024 já escreveu o enredo: onda democrata, derrota republicana, fim de festa.
Vamos aos números que ela repete. Segundo a Reuters/Ipsos, os democratas têm 47% a 35% na intenção de voto para o Congresso, e a aprovação de Trump está em 31%. O Decision Desk HQ dá 59% de chance de os democratas retomarem a Câmara. Só que o próprio levantamento avisa o que a manchete esconde: é dado nacional, que não projeta quem controla cada Casa. Eleição americana não se decide no voto médio do país. Decide-se distrito a distrito.
E é nos distritos que a conta muda. Os novos mapas dão aos republicanos uma vantagem líquida estimada de 5 a 12 cadeiras antes de o primeiro voto ser contado. O partido também chega com dezenas de milhões de dólares a mais em recursos de campanha. No Senado, a projeção é de empate em 50 a 50, e nesse cenário quem desempata é o vice-presidente JD Vance. Uma onda que termina empatada no Senado é uma onda bem menor do que a anunciada.
Trump entendeu isso e foi para a rua. Fez comícios em mais da metade dos estados na reta final. Enquanto os adversários apostavam na pesquisa, ele apostou no corpo a corpo, o mesmo método que desmentiu os institutos em 2016 e voltou a desmentir em 2024, quando venceu em todos os estados-pêndulo. Quem aposta contra essa campanha de rua já perdeu antes.
O que pesa no bolso do eleitor, e é aí que a eleição será decidida, é a gasolina acima de US$ 4 por galão e a inflação que não cede. É o preço do posto, da feira, do aluguel. O eleitor americano vota com a carteira, como qualquer um de nós. A direita acerta quando fala de fronteira, de corte de impostos e de segurança do voto, e precisa convencer esse eleitor de que o remédio é o dela, não o de quem prometeu e não entregou.
Agora olhe o que os democratas prometem se ganharem a Câmara. Não falam em baixar o preço da gasolina. Falam em investigar o governo e a família Trump. Perguntado sobre um novo impeachment, o líder Hakeem Jeffries respondeu: “Não descartamos nada, nem confirmamos nada”. O eleitor que reclama do bolso recebe, em troca, uma agenda de palanque judicial. Já vimos esse filme: quando a oposição só sabe mirar o adversário, o país fica esperando.
No Texas, o democrata James Talarico aparece à frente de Ken Paxton, aliado de Trump, nas pesquisas. Kansas, Iowa, Ohio e Alasca são cenários difíceis para os republicanos. São sinais reais de disputa, e é por isso que o voto de cada conservador conta. Pesquisa não vota. Quem vota é quem sai de casa, e os republicanos têm motivo de sobra para sair.
Por que isso importa para quem está aqui no Brasil? Porque a relação dos Estados Unidos com o nosso país e com a direita brasileira passa por Washington. Um Congresso alinhado a Trump sustenta o tom firme com governos que flertam com regimes autoritários e com a censura travestida de combate à desinformação. Um Congresso hostil gasta energia em guerra interna. Quem acompanha de perto o que Brasília faz com a liberdade de expressão sabe que a atenção americana nunca foi detalhe.
Amanhã, portanto, não é só a eleição deles. É um termômetro do que o eleitor faz quando o preço aperta: castiga quem governa ou cobra de quem só promete investigação? Eu fico de olho na terça à noite, e recomendo que você também fique. A pesquisa já falou. Resta saber se o eleitor vai confirmar ou desmentir.
Rogerio Pires é jornalista, professor, pesquisador, mestre, doutor H.C. em educação e gestor público com atuação na área de educação tecnológica e políticas de inovação no Estado do Rio de Janeiro.




Trump já espera mais 1️⃣ FRAUDE lá❗️😪 igual a que teve no Brasil 🇧🇷 dia 25/10❗️
A direita no Brasil assiste com atenção e esperança a eleição americana, quase que como uma extensão da nossa.
É claro que isso muda também para nós, sem dúvida.